Faces do Mangue (Faces of the Mangrove). Chegou a hora de Pernambuco!

10 Apr, 2014

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Por Shirley Nunes

É notável que dentro da cultura e música brasileira o que mais destaca no Exterior é o tambor e comida de Salvador, a bossa ou o samba do Rio de Janeiro, comida e música de Mina Gerais , e até mesmo o forró do Nordeste que tem ganhado mais espaço nos últimos anos. Agora chegou a vez de Pernanbuco ganhar destaque.

Um dos eventos que merece nossa atenção dentro do Brazilian Events Guide de Abril é o ‘Perspectiva Brasileira em Educação para Cidadania’ (Brazilian Perpectives in Education for citizenship), organizado pela LAPE ‘Latin Amerecian Perpectives in Education’ que ocorreu na última semana no Instituto de Educação.    A pernambucana Natália de Santana Revi   abriu o evento lendo em inglês uma poesia de sua autoria ‘Lamentos do Mangue’(Laments of the Mangrove), e no meio de suas falas, suava o tambor de maracatu com Fabrício Pires Azevedo, ritmo de raiz pernambucana. E entre uma frase a outra podia-se ouvir sobre a realidade daqueles que vivem nas palafitas e sobrevivem do Mangue.  Sua poesia cita os nomes Josué e Chico, não são mencionados por invenção, mas por convicção da mensagem de  Josué Castro e famoso Chico Sciente.

Dois pernambucanos que escreveram sobre essas famílias que buscam uma esperança, mesmo vivendo da lama. O trabalho deles veem do encontro com objetivo do evento como mostrar a importância do Mangue e a comunidade ter voz com estado. Trechos a seguir foram tirados do livreto entregue no evento. O primeiro, o poeta e o compositor  que escreveu o livro ‘ O ciclo do Caranguejo ’, onde refere aos mangues do Capibaribe ‘ se a terra foi feita pro homem, com tudo para bem servi-lo, também o mangue foi feito especialmente pro caranguejo (…) Caranguejo vive nela ’. Já o segundo, Chico Science quem compôs a famosa canção Manguetown, com sons percussivos do maracatu, onde diz ‘ to enviado na lama, é um bairro sujo, onde urubus tem casas e eu não tenho asas ’ (I’m stuck in the mud, it’s a dirty neighborhood, where the vultures have homes, and I do not have wings),  com crítica forte no refrão ‘ andando por entre os becos, andando em coletivos, ninguém foge ao cheiro sujo, da lama da manguetown ’ ( I’m walking through the alleys, taking buses, no one escapes from the foul smell of the mud in the Manguetown).

Video by Sabrina Thompson

from  Thompson on .

Logo após sua apresentação, iniciou-se o Painel de discussão com participação de outros brasileiros como a professora  Regina Celia  quem conduziu a mesa; Nara Fillipon, quem abordou sobre o Conselho Participativo de Cidadania Brasileiro em Londres, Sabrina Thompson mostrou seu trabalho de pesquisa com perpectiva de um grupo de mulheres brasileiras de religião africana, e o professor inglês Tristan McCowan que falou as diversas maneiras que a educação pode mudar uma comunidade. Após as apresentações, duas delas com vídeo e outra com apenas fala e leitura, fez com que o público participasse, tendo no final, várias pessoas questionando os temas.

  Uma das perguntas foi sobre educação, onde professor disse que ‘ Sim!’, acha possível usar experiências na educação daqui com comunidades no Brasil, e elogiou a mestranda brasileira Natália.  Ela está dirigindo um conscientização eletrônica e visual ( através de Música e do texto), fazendo conexões entre os capitalistas ricos emocionalmente carentes (…) Seu projeto tem linhas de intra- conexão (ligação dentro do Estado) e também inter- conexão entre estado como o Brasil, América Latina’.

Faces do Mangue_PhotobyRainerknappe_Flyer_byCulturartbrazil Já Ana Souza, fundadora da Abrir ( Associação Brasileira de Iniciativas Educacionais) estava presente, questionou sobre o Conselho de Cidadania em Londres, afirmando que é uma iniciativa do governo brasileiro e não do povo, e que organizações que já tem iniciativas na comunidade não são reconhecidas pelo Conselho, o qual quer gerar cidadania na comunidade. Não foi respondida.

Alé m de música e poesia, e o painel com discussão, houve também um Concerto, um momento reflexivo, com Flávia Narita, Marcia Adriana Violani e Marcos Araújo, todos estudantes de música.  A exposição Faces do Mangue do fotógrafo pernambucano Rainer Knappe fechou o evento. ele expôs retratos das pessoas que  moram nas palafitas da comunidade Beira Rio e Bode, localizada no Pina, zona Sul do Recife.

Cada um dos que moram lá tem uma historia. Minha idéia é mostrar a cara dessas pessoas, como elas vivem e dar identidade a esse problema que Josué de Castro já falava há mais de 40 anos. Chico Science veio com o movimento Mangue nos anos 90 e também nada mudou “, aponta o fotógrafo. Ele ainda reforça que as pessoas ainda vivem nas palafitas por falta de escolha. “ Elas não têm para onde ir “, completa.

Em sua maioria, mulheres ficam em casa, para cuidar das crianças. Nas imagens pode o seu dia-a-dia, uma realidade de pobreza e  com condições precárias. De acordo com a informação do livreto entregue a todos no início do evento, existem  750 famílias vivendo nas palafitas de Bode e Beira Rio, onde concentra-se

Se você perdeu esse evento, fique atento ao Brazilian Events Guide e saiba sobre o próximo, o qual já estão organizando. Veja mais informações nos links abaixo:

Saiba mais sobre LAPE: http:// lape.weebly.com

 

Exibição de Fotos
Por Rainer Knappe

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