Arnaldo Antunes: “A música muda você”
20 Apr, 2013
Por Alba Cabral
Sexta-feira típica londrina, fria e movimentada. Ingressos na mão, passos apertados pra chegar pontualmente ao show. Quando me dei conta estava em frente à Union Chapel, uma linda e antiga capela que oferece serviços religiosos, porém, em boa parte do tempo é centro de cultura, espaço musical, residência artística. Ao entrar e me deparar com encantadores vitrais e bancos de igreja, foi inusitado pensar que Arnaldo Antunes se apresentaria ali. Fui pega de surpresa, tanto pelo espaço em que me encontrava quanto pelo recente trabalho lançado em 2012 por Arnaldo Antunes, Edgard Scandura e Toumani Diabaté.
Antes do esperado show, quem veio aquecer o público foi Family Atlântica , um quarteto composto de percussões com a cantora venezuela Luzmira Zerpa, trajando um belo figurino que remetia a um grande cocar indígena atrelado a outros objetos que brilhavam na meia luz da capela. Foram bonitas as cantigas tradicionais apresentadas pelo quarteto, belo o coro feito pelos percussionistas Ganês. A platéia interagiu, riu. Warm up bem sucedido.
Sem mestre de cerimônias, Arnaldo entrou no palco e logo entoou um verso, com sua voz única, de timbre grave preenchendo e ecoando no hall sagrado. O trio logo se formara; Scandura na ponta esquerda com algumas de suas guitarras, pedais e bumbo eletrônico, Toumani sentado ao centro com sua Kora – uma espécie de harpa da Africa Ocidental composta de 21 cordas – e Arnaldo à direita, vestindo um conjunto de paletó feito de tecido afro. Iniciaram seus ritos de poesia, suas melodias, o resultado do encontro ao qual deu-se o nome
“A curva da cintura”.
O álbum fora gravado em 2012 entre Bamako – Mali, cidade natal do músico Toumani, a convite do mesmo, após o encontro que tiveram no festival Back2Black Rio 2010. A maioria das composições de
“A curva da cintura”
já eram dos parceiros musicais Arnaldo e Scandura, mas outras musicas foram acrescentadas no processo de criação e gravação. Com certeza o tempero maliense, a cultura local, a experiência e habilidade de Diabaté e sua família foram ingredientes mais que apreciados nessa mistura interessante. Lançou-se juntamente um DVD que vale a pena conferir.
O show teve algo de singelo e muita beleza. As linhas melódicas da guitarra e da kora se intercalavam, como se conversassem, uma conversa na qual a escuta estava sempre presente. A Kora passeava delicadamente por entre o caminho das notas que a guitarra perfazia. Os versos com a sobreposição de vozes da dupla evidenciava a peculiaridade da voz de cada um. Tudo harmonioso, com um toque de sutileza e cumplicidade, verdade e respeito.
“Você muda a cada momento/A música muda o tempo/Você é um instrumento/A música muda você/Pra melhor, pra melhor, pra melhor”
Kaira – Arnaldo Antunes.
Para ouvir mais
http://www.acurvadacintura.com.br/
Para saber mais:
http://www.comono.co.uk/la-linea/
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